PAIXÃO: CEGA, SURDA E LOUCA

Passion DyingNão sei dizer se o amor é cego. Mas a paixão é surda, cega e louca.

Paixão e Amor são temas abrangentes e, para não extrapolar o campo da discussão, podemos usar uma definição de ambos:

Amor: O “amor romântico” (Eros), algo mais forte do que a amizade (Philos). Atração pela beleza da alma – a beleza interior ou o conjunto de belezas apreciadas em outrem. Muito mais que um sentimento, amor é uma DECISÃO. A decisão de se doar, com carinho, afeto, cumplicidade, compreensão, sabedoria. O Amor conhece os defeitos, mas enxerga através deles. Ajuda no que pode ser melhorado, busca o equilíbrio no que não pode, quer sempre o bem (mesmo quando isso significa perder a pessoa amada). O Amor é profundo e envolve razão e emoção.

Paixão: Sentimento que beira a patologia. Direto, implacável, inexplicável, muitas vezes sem fundamento, sem freio, sem projeto, sem planos, sem defesa. A paixão é inconsequente, ignora os defeitos, as barreiras. Paixão é desejo, é o “Id”. O próprio termo parece ser derivado do “sofrer”. A paixão quer, mesmo que não seja o bem. Tende ao desequilíbrio, aprisiona a razão.

Ela é surda…
Porque não se importa com o que outros (ou a própria razão) dizem: você simplesmente quer. Pode não fazer bem; não ser ético; não ser viável; não ser possível; não ser saudável; não ser lícito; não ser sensato; não ser justo, mas você deseja! Quer e não aceita não ter.

A paixão pode ser vício ou doença. Exagero? Então veja: A psicóloga americana Dorothy Tennov, examinou 400 apaixonados e concluiu que a paixão provocava os mesmos sintomas em todos. Quais seriam eles? Aceleração nos batimentos cardíacos, frio na barriga, perda de apetite, insônia, etc.

Outra pesquisadora, a italiana Donatella Marazziti, mostrou que diversas substâncias cerebrais são liberadas quando estamos apaixonados, o que ajuda a explicar, do ponto de vista químico, as noites mal dormidas e a perda de apetite. Essas substâncias são estimulantes naturais como a dopamina e a norepinefrina, produzidas em quantidades maiores que o usual por quem se apaixona.

Outras pesquisas apontam desvio de atenção ao objeto da paixão, dilatação das pupilas, aumento da temperatura corporal e da pressão sanguínea, suor, tremedeiras e calafrios, boca seca e alterações no funcionamento do estômago e intestino. Além disso, algumas características podem ser observadas, como: euforia, busca por satisfação sexual, sensação clara de felicidade, pensamentos obsessivos e a focalização somente nas qualidades do ser amado. O alerta fica por conta da suspeita de que o apaixonado “ligue” áreas cerebrais do prazer e “desligue” algumas áreas do julgamento crítico.

Agora, que outras coisas causam esses efeitos, senão vícios e patologias?

Há casos extremos em que a paixão beira a insanidade. Imagine a seguinte situação: “Podemos ficar juntos, mas saiba que não sinto nada por você”. Uma pessoa que AMA, sofreria muito, mas diria a si mesmo que não vale a pena: “Prefiro que busque sua felicidade”.
Uma pessoa insanamente APAIXONADA pensaria: “Eu vou ensina-lo a gostar de mim”, ou “ele gosta de mim, só está confuso” ou “o importante é estar com ele, o resto eu resolvo depois”.

A paixão custa a acreditar ou mesmo aceitar um NÃO. “Quem põe ponto final numa paixão com o ódio, ou ainda ama, ou não consegue deixar de sofrer”. (Ovídio)

Ela é louca…
Tão forte que a literatura sempre abusou do tema. Na grande obra de Goethe “Os sofrimentos do jovem Werther”, o protagonista, ao perder todas as esperanças de obter Carlota, beija apaixonadamente as armas em que ela havia tocado e, usando-as, acaba com a própria vida. O romance de 1776 provocou uma série de suicídios na Alemanha, entre jovens inspirados na personagem cujo amor não foi correspondido.

Na paixão a individualidade é perdida ou deixada de lado. Enquanto no amor ama-se a si mesmo – e o outro na mesma medida – na paixão ‘ama-se’ o objeto mais do que qualquer outra coisa ou pessoa.
Talvez você conheça alguém que deixou emprego, família, cidade, filho ou vida por causa de uma paixão. Pior, talvez você seja esse alguém.

Em muitos casos essa loucura se estende por anos e a mulher vive mais em função do outro do que de si mesma. Vive mais o que DESEJA do que o que POSSUI. E obviamente as chances de isso funcionar são mínimas.
Claro que há relatos de paixão que culmina em amor. Mas não conheço casos de sucesso em que havia apenas paixão. Isoladamente, ela não é suficiente pra construir uma historia. E é isso que amantes esperam, construir uma historia juntos.

A ciência dá conta de que uma paixão tem prazo de validade. “Nenhum ser humano aguentaria ficar anos a fio sem comer ou dormir direito”, diz o psiquiatra James Leckman.
Em média, o prazo de validade da paixão é de dois a três anos. O problema é suportar ou administrar seu violento poder de influência em nosso corpo, mente e coração. Afinal, como disse Shakespeare “a paixão aumenta em função dos obstáculos que se lhe opõe”.

Ela é cega…
É bom lembrar que, louca como é, a paixão ENGANA: ela deforma, transforma e confunde.
“O cérebro cria uma percepção irreal do outro, em que defeitos não existem, o medo do desconhecido é drasticamente reduzido, e os critérios de avaliação racional do parceiro estão muito diminuídos”, diz Cibele Fabichak, especializada em neurobiologia do amor e autora do livro Sexo, Amor, Endorfinas & Bobagens.

Mas, há uma esperança! Se não para resolver, ao menos para minimizar o impacto de uma paixão. O que frustra uma mulher são as expectativas. Logo, no período em que a loucura começa, é necessária certa dose de pessimismo, imaginando que aquilo tudo vai passar. Além disso, já que o que enfraquece é a perda da individualidade, o autoconhecimento é uma boa ferramenta. Conheça a si mesma. Saiba se está se sentindo carente, vulnerável, solitária… Pense no que quer e no que espera de alguém.

Não quero persuadi-la a não se apaixonar ou mesmo frustrar suas expectativas. Existe paixão saudável. Mas essa ficará para um próximo texto.
Não conheço nada capaz de frear uma paixão. Mas você pode diminuir o estrago.
O problema é que…

Se você estiver apaixonada, talvez não dê ouvidos!

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2 comments on “PAIXÃO: CEGA, SURDA E LOUCA
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