RAZÃO + EMOÇÃO

RAZÃO EMOÇÃOO tema Razão/Emoção é discutido exaustivamente: basta digitar o título em sites de busca e uma imensa quantidade de textos, comentários, estudos e opiniões sobre o tema surgirão. Mas tenho a impressão de que a maioria tem uma semelhança em particular: colocar razão e emoção como uma oposição.

A ciência já tem demonstrado que a tomada de decisões não é uma dicotomia – não precisa ser um OU outro.

Acaso nossos sentimentos estão dissociados de nossos valores éticos? Nossas vontades estão desligadas de nossas responsabilidades? Nossos desejos estão desprendidos de nosso senso? Nossas emoções não tem qualquer ligação com nossa razão?

O ser humano tem seus bugs e tilts, mas é uma máquina extremamente complexa e competente. Somos constituídos de corpo e mente que nos possibilitaram sobreviver em meio às mais difíceis situações. Mas ainda preciso acreditar que, na hora de tomar decisões, só posso utilizar uma das minhas ferramentas mais importantes?

Isso parece estranho, pois dá a impressão de que há um seletor “on-off” para ativar no momento de uma escolha.

Em 1980 um neurocientista chamado Antonio Damásio descobriu uma parte do cérebro (córtex órbito-frontal) que é responsável pela comunicação entre consciente e inconsciente. Sem essa comunicação ficaríamos horas e horas parados, sem saber se deveríamos usar uma roupa azul ou vermelha e, o pior, sem a ação do lado emocional, nem sofreríamos com a indecisão. Outros estudos também mostram que a capacidade de escolha está associada a vários fatores, que são trabalhados pelo cérebro até que este identifique a melhor opção.

As emoções são indispensáveis para a vida racional. Elas nos tornam únicos. É nosso comportamento emocional que nos diferencia uns dos outros. A natureza do nosso conjunto de respostas emocionais não depende exclusivamente do nosso cérebro, mas da sua interação com o corpo, e das nossas próprias percepções do corpo.

versus

Utilizando exemplos práticos:

Imagine que você acaba de ganhar um automóvel numa promoção e você pode ir até a loja e escolher qualquer um.

Usando apenas o lado emocional, você escolheria o mais bonito, com a cor que mais gosta e os opcionais que sonhou. Tudo sem se preocupar com o dinheiro da manutenção, com o final da placa para o rodízio, com a segurança e se será vendê-lo quando não quiser mais.

Usando apenas o lado racional, você iria escolher aquele com a manutenção mais barata, maior segurança, bom para revenda, potente, econômico. E correria o risco de sair de lá com um carro que acha ridículo.

Pensemos agora em algo mais profundo:

Imagine se uma pessoa, de quem você gosta muito, te magoasse e depois pedisse perdão.

Suponhamos que você utilizasse apenas o lado racional. Qual seria a decisão?
Analisando perdão à luz do texto http://sacs2.com.br/perdao/ , ou seja, considerando-o como “arcar com o prejuízo”, “abrir mão de seu direito”, “não reivindicar”, obviamente sua decisão seria de não perdoar.

Suponhamos agora que você utilizasse apenas o lado emocional. O que faria?

Considerando que você gosta da pessoa e iria querer reatar o relacionamento, sua decisão seria perdoá-la. Porém, sem alertas, sem ressalvas, sem reflexões e com a enorme possibilidade de dar margem para uma nova falha.

Por isso, temos de pensar que as decisões são uma espécie de balança homogênea. Você põe na balança o que é viável, seja do ponto de vista racional ou emocional. Claro que, invariavelmente um dos dois será predominante. Mas é importante que o outro exerça sua função.

Augusto Cury traduz bem essa relação: “A mente humana é como o pêndulo de um relógio que flutua entre a razão e a emoção. Nossa capacidade de tolerar, solidarizar-nos, doar-nos, divertir, criar, intuir, sonhar é uma das maravilhas que surgem desse complexo movimento. O amor é seu melhor fruto. Cuidado com os desvios desse pêndulo”.

Quantas vezes, ao decidir se ingressava ou não no relacionamento, você não avaliou: A beleza, inteligência, postura, caráter e sensibilidade de uma determinada pessoa, além da provável afinidade com sua família, estabilidade financeira, fidelidade, honestidade e o grau de sentimento por ela? Esses e outros itens não são analisados sob dois aspectos indissociáveis.

Pense nas decisões que você tomou recentemente. Analise se você “desligou algum botão” do coração ou da mente.

Agora pense nas decisões que terá pela frente.
Prepare sua razão E emoção.

2 comments on “RAZÃO + EMOÇÃO

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