QUANDO O COMEÇO É O FIM

CAMINHONão existe jeito certo de se começar um relacionamento. Não existe receita, fórmula ou manual para iniciar uma paixão com a certeza de êxito, durabilidade e final feliz. Ouvimos muitas histórias diferentes, com os mais variados desfechos. Nem sempre o início é como um conto de fadas. Aliás, raramente.

Mas, é possível sim, que exista “jeito errado” de se começar, ainda que de forma individual e subjetiva, e que esta regra tenha exceções. Às vezes há evidências de que só por milagre as coisas darão certo. E mesmo que você acredite em milagres, quando se fala em relacionamento, há um preço a pagar. Há casos em que a maneira como tudo começou funciona como bússola, indicando logo de cara para onde a coisa vai.

Não é igual para todos. Os impedimentos para um bom relacionamento variam de acordo com o que cada pessoa considera qualidade essencial, falha suportável e defeito insuportável. Algumas pessoas jamais ingressariam num relacionamento com alguém que viaja demais, outras com alguém de outra religião, outras não se interessariam por um fumante, e ainda as que não se relacionam com alguém de determinado signo do zodíaco. Nenhuma delas está certa ou errada. Cada um sabe, ou pelo menos imagina o que vale a pena ou não arriscar.

Cada pessoa possui uma ou mais restrições de acordo com sua história e experiências pessoais. Em muitos casos uma mulher acaba abrindo mão de uma exigência em nome de um sentimento maior que julga ser amor ou paixão. Isso pode ou não ser válido, algumas se arrependem, outras não.

Porém,  temos de refletir sobre situações em que não estão em jogo apenas as escolhas pessoais, mas a saúde emocional, física, psicológica e/ou financeira da mulher, e a própria manutenção do relacionamento.

Há casos em que o começo do relacionamento determina seu fim – que pode ser doloroso demais. Deve haver uma reflexão profunda sobre o preço que se paga para manter um relacionamento sustentado apenas por uma das partes e baseado apenas em sentimento.

Com base na estrutura, essência, história e cultura em que cada pessoa está inserida, esses casos podem variar, mas os itens abaixo são daqueles difíceis de relativizar.

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Uma pesquisa realizada pelo Instituto Avon e Data Popular aponta que 66% das jovens brasileiras já sofreram atos de violência ou controle em relacionamentos. Entre as atitudes listadas estão: xingar, empurrar, ameaçar, dar um tapa, impedir de sair de casa, proibir de sair à noite, impedir de usar determinada roupa, humilhar em público, dar um soco, obrigar a ter relação sexual sem vontade, ameaçar com arma, entre outras. A pesquisa ouviu mais de 2.000 pessoas nas 5 regiões do país. Ainda que sofra alguma oscilação nos índices devido à amostra pesquisada, se ampliarmos esses números para a parcela de mulheres inseridas em relacionamentos no país o resultado é alarmante.

Pois bem, um relacionamento em que a violência se faz presente desde o início tem pouca probabilidade de gerar bons frutos. Um homem que agride uma mulher antes, durante ou depois de estabelecer um vínculo com ela já dá sinais de que não possui autocontrole e respeito por ela. Na melhor das hipóteses ele precisa de ajuda profissional para rever suas atitudes sociais. Todos os dias vemos notícias de mulheres que foram espancadas e outras, infelizmente, assassinadas por seu parceiro ou ex. Outras vivem presas ao relacionamento justamente por temerem o triste fim. Não há de fato como ter certeza se um homem é confiável. Muitos deles levam uma vida normal e não dão quaisquer indícios de que poderiam agir assim. Porém, se isso ocorre no início do relacionamento, chegou a hora de encerrar o ciclo. Não coloque sua integridade física e sua saúde emocional em risco. Salvo raríssimas exceções, um homem violento no começo será mais violento com o passar do tempo. Não há limite de tolerância para agressão física. Se isso está presente no início, podemos imaginar o fim.
Nas palavras de Jean Paul Sartre A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota”.

MISOGINIA
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Segundo um dicionário informal na web, Misoginia (do grego, miso: odio gine: feminino) é a aversão a tudo que é ligado ao feminino e às mulheres.
Grosso modo, ainda estamos numa sociedade machista. Ainda há muita coisa para mudar. Em diversas áreas a mulher ainda é colocada em posição de inferioridade. A luta por igualdade deve ser coletiva e constante. A pesquisa mencionada acima não trata apenas da violência física, mas de qualquer forma de manipulação ou cerceamento dos direitos. Além do pensamento coletivo e geral acerca do tema, um comportamento individual deve ser levado em conta, o sentimento de superioridade diante da mulher. Claro que parece utopia encontrar um homem não machista. Os traços são antigos, culturais e familiares. Mas estamos falando de algo que excede o machismo. Estamos falando por um ódio/aversão disfarçado ou não, e que oprime, reprime e prejudica a mulher. Estamos falando do homem que não observa um relacionamento como uma troca recíproca e uma relação de igualdade, mas um favor, um presente. A misoginia é caracterizada, entre outras coisas, pelo narcisismo cego e pelo bloqueio dos direitos e da individualidade de mulher. O ser misógino acredita que merece ser servido e que sua presença, por si só, já é motivo de honra para ela. Ingressar num relacionamento com um homem misógino pode ser a garantia de que você será tratada como empregada ou como um objeto. Não é saudável aceitar esse tipo de relação. Conforme disse Maria Sanches Toledo:
“Sou mulher meiga e sensível
Porém forte, valente
Sei enfrentar a dor
Sei desistir do amor!”
Se for necessário, desista! 
Existem sim, diferenças entre homens e mulheres, mas se restringem a questões que não tem a ver com inferioridade ou superioridade de quaisquer das partes. As diferenças podem ser repeitadas, mas a igualdade é o que deve unir.

INFIDELIDADE3929-000026

Algumas pessoas optam por relacionamentos abertos, em diferentes graus de liberdade. Essa é uma escolha pessoal, e não é disso que estamos tratando.
Traição é um termo utilizado quando uma pessoa ingressa num relacionamento em que está clara a declaração de exclusividade e reciprocidade. Quando a mulher opta por estar com um homem abrindo mão de estar com qualquer outro, ela o faz na expectativa natural de que ele faça o mesmo. Se ele não aceita, cabe a ela desistir. Se ele aceita, mas falha em determinado momento, cabe a ela avaliar se é passível de perdão (no sentido de prosseguir na relação) ou não. Se a atitude dele é continua, não se trata de deslize, mas de caráter. Nesse caso, ou muda-se de expectativa ou muda-se de parceiro.
Ingressar numa relação monogâmica em que apenas um tem essa incumbência é certeza de um final não feliz e/ou de uma vida emocionalmente frustrada. Cada dia será uma lágrima diferente.

A mulher não pode aceitar que “isso faz parte” e que “todo homem é assim”. Você receberá exatamente aquilo que estiver disposta a aceitar. Se logo no início ele já demonstra que não está disposto a respeitar essa “norma”, seria a hora de desistir, antes que a coisa ganhe maiores proporções. “Se alguém trai você uma vez, a culpa é dele. Se trai duas vezes, a culpa é sua”. (Eleanor Roosevelt) 

Ainda nessa questão, se você começou a se relacionar com um homem já comprometido, a história é a mesma. Porém, você está do outro lado. Seguindo a velha premissa de que não se faz com os outros o que não deseja que façam com você, é improvável que um homem que não cumpriu suas juras de amor a outra, cumpra agora com você. Se ele mente para ela você está comprando um ingresso para ser a próxima. Por ela e por você mesma, é saudável que as coisas não comecem desta forma. Às vezes a relação anterior está fadada ao fracasso e ninguém é obrigado a manter algo que não tem propósito de existir. Nesse caso, o homem deve tomar uma decisão, enfrentar a responsabilidade e por um fim à questão.

VÍCIODrug-Addiction

Esta é uma questão delicada. A primeira consideração a fazer é a de que não se trata de abandonar à própria sorte uma pessoa com algum tipo de dependência. Estamos falando sobre início de relacionamento onde ainda não há vínculo suficiente para que você enfrente a dura tarefa de orientar, ajudar e acolher um dependente.

Assim como nos dois casos anteriores, estamos refletindo sobre fatores que colocam em xeque a possibilidade de êxito numa relação. Se no começo da relação você é informada ou percebe que seu parceiro é dependente de alguma substância, especialmente ilícita, deve avaliar todas as consequências implícitas na situação. É comum conhecermos pessoas que tem restrições quanto a fumantes, por exemplo. Mesmo levando em conta que o fumante, em tese, prejudica basicamente a si mesmo (não levando em conta que o parceiro e eventuais filhos serão fumantes passivos). Agora, imagine quando se trata de álcool, drogas pesadas e jogos. Parafraseando Blaise Pascal “As paixões são vícios que mandam em nós”. E se o vício manda, não haverá controle.

Pense nas consequências de estar com alguém que pode não ter controle das próprias ações. Pense na questão profissional, na saúde, nas implicações legais, na capacidade de se relacionar socialmente e no que planeja para o futuro (viagens, filhos e construção de um lar). Reflita sobre a situação dele com seus familiares e sobre o grau de dependência. Leve em consideração se ele é sincero sobre sua condição, pois é fato que algum impacto isso causará em seu relacionamento.

Esses são pontos cruciais que podem interferir no sucesso de sua empreitada amorosa. Existem outras restrições que são pessoais e talvez flexíveis. Deve-se sempre avaliar sua disposição em abrir mão de suas prerrogativas e qual o preço que isso irá custar. Muitas vezes o início do relacionamento já aponta sobre o meio e determina o fim. É salutar minimizar os riscos.
Lembre-se: Antes Só do que mal acompanhada.

Ah! Pode ser que uma mulher tenha alguma característica aqui descrita (vício, infidelidade, agressividade ou misandria: ódio aos homens), nesse caso, deve também refletir sobre de que forma isso pode ser sanado.

Meu desejo é que ambos estejam dispostos a colaborar e construir juntos uma relação saudável.

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