TEMPERAMENTO

46513385_454208731774671_1916724474049200128_nTEMPERAMENTO:
Palavra muito usada para se referir a traços de personalidade e até justificar comportamentos:
“Fulano tem forte temperamento”, “ele é temperamental”.

Como muitas outras palavras ela é usada de maneira genérica e sem um grau maior de reflexão.

Em psicologia ela está ligada aos traços comportamentais do indivíduo baseado nos três “As” da personalidade: Afetividade, Atividade e Atenção.
Na filosofia grega a noção de temperamento foi introduzida por Hipócrates, que, baseado na Teoria dos Quatro Elementos de Empédocles, postulou Quatro Tipos Distintos:

Sanguíneo: expansivo, otimista, mas irritável e impulsivo;
Fleumático: sonhador, pacífico e dócil, preso aos hábitos e distante das paixões;
Colérico: ambicioso e dominador, tem propensão a reações abruptas e explosivas;
Melancólico: nervoso e excitável, tendendo ao pessimismo, ao rancor e à solidão.

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Essa tipologia, conhecida como hipocrático-galênica, sobreviveu no Ocidente por mais de 2.500 anos, orientando médicos e eruditos na classificação dos tipos humanos básicos, suas personalidades e doenças.

É importante ressaltar que o temperamento não deve ser confundido com o caráter. O primeiro é algo básico e constitutivo do indivíduo. O último traduz-se pelo tipo de reação predominante da pessoa ante diversas situações e estímulos do ambiente.

À luz da psicanálise, poderíamos acrescentar algo relevante a o termo. Pensando na etimologia da palavra:
Do Latim: “Temperare” = algo como “por na medida adequada ou conveniente”. “Temperamentum” = “combinação da mente no tempo”, podemos inferir que temperamento tem a ver com dosar as ações de acordo com o momento. Pensar e agir na medida adequada para a qual a situação exige.Desta forma, alguém que age por impulso destoando da real necessidade estaria “destemperado”.

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Isso me faz lembrar que nossas neuroses tem a ver justamente com uma ação fora do tempo ou das proporções adequadas.
O neurótico está o tempo todo ‘dialogando’ com o passado ou futuro e pautado por fantasias infantis. De certa forma, nosso temperamento tem a ver com o grau de compreensão que temos sobre nós mesmos, sobre nossa história e a maneira como a utilizamos para resolver nossos conflitos.

Alessandro Poveda
Psicanalista

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